PAGUE PARA NÃO APANHAR - 2 Imprimir
Escrito por Georgia Spinck   
Sex, 27 de Maio de 2011 09:26

Polícia apreende jovem de 13 anos acusado de extorquir colega de sala

O promotor da Infância e Juventude decidiu que o menino, durante três meses, vai ajudar em pequenas tarefas na escola.

Em Campo Grande, a polícia apreendeu um menino de 13 anos acusado de extorquir dinheiro de um colega de sala. No inquérito policial, a vítima diz que pagava para não ser agredida. A sequência de ameaças começou há um ano. Para não apanhar na escola, o menino era obrigado a fazer tarefas para o agressor, com o tempo, passou a comprar lanches no intervalo das aulas, e, mais recentemente, começou a dar dinheiro. O estudante, segundo a polícia, já teria pago nesse período, cerca de R$ 1 mil. Cansado e com medo, o menino contou para os pais, que procuraram a polícia. Com orientação dos investigadores, as ameaças foram gravadas.

“Você falou para um cara que eu estava indo pedir R$ 2 para você todo dia? Vou te arrebentar. Quanto dá para você me arrumar?”, ameaça o agressor.

“’Quarentão’”, responde a vítima.

“Então beleza”, conclui o jovem.

Depois de ouvir as gravações telefônicas, a polícia se convenceu de que era bullying. Para juntar provas contra o agressor, a vítima marcou um encontro em um terminal de ônibus. Seria mais um pagamento pela falsa segurança na escola. Os agentes da polícia apreenderam o adolescente que fazia as ameaças logo depois que ele recebeu o dinheiro da vítima. “Ele não acreditava que realmente iria ser reprimido”, conta a delegada Aline Sinnott Lopes.

O acusado de extorsão tem 13 anos e não pode responder por crime, mas vai passar por medidas sócio-educativas. O promotor da Infância e Juventude decidiu que o menino, durante três meses, vai ajudar em pequenas tarefas na escola. Entre elas, terá que lavar a louça da merenda escolar. O estudante também vai receber aula extra sobre bullying. No fim desse período, deve escrever uma redação sobre o assunto.

“Se ele voltar a praticar atos infracionais, ele mostra que é um infrator. Se ele nunca mais praticar nada assim, ele foi um indisciplinado que nós conseguimos poupar”, afirma o promotor da Infância e Juventude Sérgio Harfouche.

 

Fonte: G1